Maio Laranja: Câmara de Araxá promove debate sobre proteção integral de crianças e adolescentes
O Fórum Comunitário “Maio Laranja: Proteção de Crianças e Adolescentes – Responsabilidade de Todos” foi realizado pela Câmara Municipal de Araxá na tarde desta quinta-feira (21).
A reunião foi uma solicitação do presidente da Mesa Diretora, vereador Raphael Rios, que presidiu a mesa de honra ao lado da secretária municipal de Assistência Social, Lilian Cristina Pereira; da presidente do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA), Cristiane Gonçalves Pereira; da secretária municipal de Educação, Zulma Moreira; da subsecretária municipal de Saúde, Samira Reis; e da presidente da Fundação da Criança e do Adolescente (FCAA), Taciana Almeida.
Raphael abriu o encontro destacando a grande responsabilidade do Fórum Comunitário dedicado ao Maio Laranja, campanha nacional de combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, instituída pela Lei nº 14.432/2022, que tem o dia 18 de maio como marco nacional de conscientização. O vereador apresentou dados oficiais sobre o tema: “Somente nos quatro primeiros meses de 2025, o Brasil registrou mais de 11,5 mil denúncias e cerca de 21,9 mil violações sexuais contra crianças e adolescentes. No ano anterior, foram mais de 36 mil denúncias formalizadas”.
Cristiane discorreu sobre a realidade de Araxá, apontando que, entre janeiro de 2025 e maio de 2026, a rede de proteção recebeu 34 notificações, enquanto a Delegacia de Orientação e Proteção à Família registrou 149 procedimentos de escuta especializada. Desse total, 122 foram relacionados à violência sexual. Ela alertou para a subnotificação dos casos, ressaltando que muitas situações ainda não chegam à rede de proteção. Cristiane também divulgou o canal de denúncias “Disque 100”, destacando que uma simples suspeita já pode motivar uma denúncia, com garantia de anonimato.
Lilian alertou para a importância de discutir o tema também fora das instituições, apesar do tabu que ainda envolve o assunto. Samira destacou a necessidade de organização dos serviços públicos para fortalecer um trabalho intersetorial. Zulma ressaltou que as escolas contam com protocolos de ação em casos de suspeita de violência. Já Taciana falou sobre a complexidade do trabalho desenvolvido pela Fundação da Criança e do Adolescente, pois as crianças chegam à instituição de acolhimento bastante assustadas, mas que, apesar dos desafios, os profissionais conseguem, gradualmente, restabelecer o bem-estar e a segurança delas.
A defensora pública Dra. Luciana Marques falou sobre a importância de quebrar o tabu de que esse tipo de violência ocorre apenas em famílias em situação de vulnerabilidade social, ressaltando que os casos podem estar mais próximos da realidade cotidiana do que muitas pessoas imaginam.
Crianças e adolescentes também participaram do debate. Luiz Guilherme, aluno do CEFET e integrante do Parlamento Jovem, destacou a importância de discutir essas pautas no ambiente escolar. Já Isadora Helena, de 10 anos, aluna do Lar Santa Terezinha e da Escola Alice Moura, falou sobre os cuidados que as crianças devem ter com pessoas desconhecidas e também com o uso da internet.
A palavra também foi aberta aos vereadores e ao público presente, que contribuíram com relatos e reflexões sobre a importância do fortalecimento da rede de proteção, da atenção dos pais e responsáveis aos sinais e às mudanças de comportamento das crianças e adolescentes, além da necessidade de denunciar qualquer suspeita de violência. As discussões promovidas durante o Fórum resultarão em encaminhamentos à rede de atendimento e na elaboração de um relatório com as principais conclusões e propostas apresentadas, visando subsidiar futuras ações e providências dos órgãos competentes.
Ascom CMA.
